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Archive for maio \28\UTC 2009

A invenção pode ser francesa, mas a criatividade dos biquínis está definitivamente nas mãos dos brasileiros, que confeccionam as peças sob medida para a ousadia brasileira. Tanto é que as peças para exportação tem calcinhas com modelagem maior.

ravi_camila_praia

Na praia com Camila (Isis Valverde), Ravi (Caio Blat) se assusta com a bela tira a roupa e fica apenas… de biquíni. “Nós não temos o costume de entrar na água nem de ficar torrando no sol que nem vocês. Quando você for à Índia você não vai poder andar assim. Você vai ser presa. Presa e eu não vou conseguir soltar você não”, diz ele para a sua futura esposa.

O que vocês acham do tamanho dos nossos biquínis? Quando estão fora do país vocês continuam usando o biquíni brasileiro ou já se adaptaram ao modelo europeu ou norte-americano?

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Ao desembarcarem no Brasil, Raj (Rodrigo Lombardi) pergunta por que o irmão, Ravi (Caio Blat), está rindo. Este responde que é por causa de um homem que se veste como menino. Detalhe: o homem está de bermuda. “Um velho está vestido como menino”, comenta Ravi.

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Em outro momento, Ravi também ri da roupa de Leinha (Julia Almeida) e diz: “Vocês são bem engraçados! Na Índia ninguém anda assim, mostrando os ombros”. Leinha, lógico, cai na gargalhada. estilo_ravi_leinha1

Em contrapartida, quando Ravi chega para o jantar na casa da família de Camila (Isis Valverde) e entrega os presentes, Aída (Totia Meirelles) ao abrir o seu – um “sári de seda pura bordado com fios de ouro” – diz: “Que bonito corte”. Então, corte de tecido que na verdade é um sári. Ela ainda pergunta se é para fazer um sári e Ravi diz que ele já está pronto e apresenta um folheto explicativo das maneiras de se amarrar um sári. Ao ver o folheto, Aída diz que já passou da idade de usar barriga de fora. Então Ravi explica que, na Índia, as mulheres, das mais novas às mais velhas, andam com a barriga à mostra. “Que diferente…”, é a postura de Aída enquanto Leinha fala: “E ainda fica surpreso por a gente mostrar os ombros”.

É engraçado pensar nas partes do corpo que, caso expostas publicamente, geram percepções e reações diferentes. Na Índia, enquanto não é de bom tom deixar ombros e pernas à mostra, no Brasil a barriga só é mostrada quando sarada. O que é normal para alguns, é absurdo para outros. E vice-versa. E até o motivo das reações é diverso. No nosso caso, puramente estética. Are baba!

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Assistam o vídeo: http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM963173-7822-HARI+E+PROTEGIDO+POR+SHANKAR,00.html

Assistam o vídeo: http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM963173-7822-HARI+E+PROTEGIDO+POR+SHANKAR,00.html

A sociedade indiana é dividida em quatro castas, todas elas oriundas de uma parte do Deus Brahma. Há ainda os dalits que, de acordo com a cultura indiana, não nasceram de Brahma.

Da casta dos comerciantes, Opash (Tony Ramos) define os dalits – também chamados de intocáveis – da seguinte forma:

“Os dalits são a poeira que existe embaixo dos pés de Brahma. Eles são impuros porque fazem o trabalho mais impuro: lavando banheiros, lidando com os mortos. Por isso não se pode tocar neles, não se pode nem tocar na sombra deles, não se pode pisar nas pegadas dele, senão essa pessoa fica impura também”.

Será que os dalits, de fato, só existem na cultura indiana?

Em uma pesquisa sobre garis, desenvolvida no Instituto de Psicologia da USP, Fernando Braga da Costa falou sobre a “invisibilidade pública”, condicionada à divisão social do trabalho. Ou seja, enxerga-se somente a função e não a pessoa. Ou pior, às vezes NÃO se enxerga a pessoa. Foi o que ele comprovou durante sua pesquisa etnográfica: “Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível. Ninguém cumprimenta um gari. Garis não existem para a sociedade”. Da experiência, além de um mestrado, Fernando tirou uma grande lição: “Essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma coisa”.

O brasileiro fora do país muitas vezes encara empregos que ele não teria no Brasil. Isso faz dele um invisível, um intocável? Como é esse tratamento no exterior?

Vejam o vídeo:

http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM963173-7822-HARI+E+PROTEGIDO+POR+SHANKAR,00.html

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Chai

Bebida popular na Índia, o chai está sempre presente nas cenas de “Caminho das Índias”, inclusive servindo como chai2motivo de intriga na casa dos Ananda. Quem não se lembra da Surya (Cléo Pires) colocando sal no chai preparado por Maya (Juliana Paes)?

Passado muitas vezes de geração para a geração, o preparo da bebida faz parte da tradição familiar. Justamente por isso não há uma receita única. Mas posto aqui uma de suas inúmeras versões:

chaiIngredientes: 250 ml de água, 250 ml de leite, 1 pau de canela, 1 raiz de gengibre ralado, 2 sementes de cardamomo em pó, 3 cravos-da-Índia, 2 colheres de chá preto (ou dois saquinhos), açúcar a gosto.

Modo de preparo: Aqueça a água. Quando estiver quase fervendo, adicione a canela, o gengibre, os cravos-da-índia e o cardamomo e, então, deixe ferver. Junte o chá preto e deixe em fogo brando por, aproximadamente, 5 minutos com o recipiente fechado. Acrescente o leite e deixe aquecer sem atingir a fervura durante alguns minutos. No fim coe, coloque o açúcar a seu gosto e sirva ainda quente.

 

No nosso Brasil, qual seria a bebida mais tradicional? E em Portugal? Qual a bebida que faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros? E com qual a gente, às vezes, precisa se adaptar quando está fora de casa?

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Na clínica do Dr. Castanho, Aída (Totia Meirelles) admira um quadro pintado por Henrique, um paciente real, e pede para que ele explique o real significado da obra.

henrique2“Uma certa vez eu li num livro que o esquizofrênico quando está em crise vive uma henrique_esquizofreniadesintegração da personalidade”, conta Henrique que não estava em crise quando pintou o quadro. “Eu fiz uma viagem e vivi o que eu viveria em crise. É um sentimento de alienação, porque o esquizofrênico – e eu digo por mim – pode ser qualquer coisa, menos ele mesmo”, explica Henrique.

tarso_bruno gagliassoNo mesmo capítulo, mais especificamente, na cena seguinte, Tarso (Bruno Gagliasso), prestes a se encontrar com Tônia (Marjorie Estiano), foge para o quarto por conta da repressão que sofreu de seu pai (Humberto Martins). Ao invés de encarar o pai e dizer o que ele realmente quer, no caso, encontrar com sua namorada Tônia, Tarso foge para o quarto. Totalmente desnorteado, Inês (Maria Maya) vai atrás do irmão e tenta fazer com que ele “pegue o beco”, ou seja, vá se encontrar com sua namorada. “Tarso, assume quem você é e manda o resto para o espaço. Tarso, o que interessa é o que você é!”, encoraja ela. “O que eu sou?”, questiona o rapaz frente a frente com sua imagem no espelho. “O que que eu sou?”, continua.

É a identidade fragmentada do esquizofrênico, como definiu Henrique.

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Em artigo intitulado “Os inumeráveis estados do ser”, publicado neste domingo na Folha de São Paulo, Ferreira Gullar fala sobre o belíssimo trabalho desenvolvido pela psiquiatra Nise da Silveira, que incentivava a utilização da arte como modo de expressão. Os ateliês criados pela médica acabaram revelando artistas de talento e, em 1952, as obras dos pacientes passaram a integrar o Museu de Imagens do Inconsciente.

Entretanto, nem sempre a arte era reconhecida como tal, já que “a maioria dos críticos de arte e mesmo artistas negavam-se a reconhecer como arte a produção de doentes mentais. (…) A resistência dos que negavam valor artístico àquelas obras decorria do preconceito contra o doente mental e da incompreensão da natureza mesma do trabalho artístico. Custaram a compreender que não era a loucura que fazia daquelas pessoas artistas, e, sim, a vocação, o talento de que nasceram dotadas. Não é a loucura que produz arte, uma vez que das dezenas de pacientes que trabalharam nos ateliês do CPN (Centro Psiquiátrico Nacional), no Engenho de Dentro, só uns poucos – cinco – de fato criaram obras de real qualidade estética”, escreve Gullar.

Entre os primeiros a reconhecer a legitimidade destes artistas marginalizados, estava o crítico Mário Pedrosa. Entretanto, o propósito da dra. Nise não era formar artistas, e sim encontrar um canal pelo qual os pacientes pudessem se expressar.

“Em geral, o doente mental tem dificuldade de se expressar logicamente, como o exige a linguagem verbal. Já a linguagem pictórica, não-verbal, constituída de cores, linhas, símbolos visuais, dispensa o logos para se estruturar. Por essa razão, ao mesmo tempo que serve de vazão aos impasses emocionais, permite-lhe construir uma totalidade simbólica plena, bela, que lhe dá alegria e autoafirmação”, redige Gullar.

Detalhe: Tarso (Bruno Gagliasso) acabou de ganhar o primeiro lugar num concurso de contos, na faculdade. Isso no capítulo exibido, aqui no Brasil, neste sábado, 16 de maio de 2009.

Como exemplo de alto valor artístico descoberto entre os pacientes da dra. Nise, Gullar cita Emygdio de Barros (1895-1986), que, após 23 anos de mudez, “encontrou na pintura o caminho para realizar suas potencialidades de artista”.

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Geográfica e culturalmente distantes, Brasil e Índia apresentam significativa diferença em relação à atenção e ao respeito aos mais velhos.

Um exemplo é o tratamento dispensado ao senhor Cadore (Elias Gleizer) e ao Karan Ananda (Flávio Miglaccio).

No Brasil, o senhor Cadore partiu do zero e construiu sozinho a empresa farmacêutica Cadore. Ao se aposentar, passou o controle da organização para as mãos dos seus dois filhos, Ramiro (Humberto Martins) e Raul (Alexandre Borges), que se tornaram verdadeiros inimigos mortais por conta da herança. O pai, responsável por todo o império, foi literalmente esquecido, e todas as decisões nunca são apresentadas a ele, sua opinião não é levada em conta (muito menos consultadas) e ele sequer tem casa, sofrendo humilhações diárias de sua nora Melissa (Christiane Torloni) desde o momento em que passou a morar na casa de Ramiro.

Na Índia, Karan é o mais velho dos Ananda (se bem que há um tio ainda mais velho, mas que raramente aparece na trama). Acredita na modernização da Índia, abomina alguns costumes, não sendo um defensor do sistema de castas. Viúvo, sem filhos e cunhado de Laksmi (Laura Cardoso), vive em harmonia no lar dos Ananda e é sempre consultado em relação aos assuntos mais importantes da família, inclusive nas decisões relacionadas aos tecidos Ananda, empresa milenar que é transferida de geração em geração ao filho mais velho.

As duas empresas cogitaram a entrada no e-commerce, projeto que seria viabilizado (e acabou sendo) por meio da empresa de informática de Raj (Rodrigo Lombardi).

Na Índia, Opash relutava com a ideia de vender os tradicionais tecidos no ambiente virtual, ao contrário de Karan (Flávio Miglaccio) – o mais velho dos Ananda –, que acreditava ser um bom negócio investir nas novas tecnologias. E assim foi feito.

Já no Brasil, o senhor Cadore não foi sequer consultado sobre a entrada da empresa farmacêutica no ciberespaço. Foi Ramiro quem tomou a decisão e, durante a festa de comemoração do acordo milionário para a existência virtual da empresa, seu Cadore foi completamente ignorado e, ressentido, desafabou: “Não citaram meu nome uma única vez! Fui apresentado como pai, não como uma pessoa que construiu tudo aquilo”.

Em Portugal há um respeito maior em relação a opinião e conhecimento acumulado dos mais velhos do que no Brasil?

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